sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Fluxo pode aumentar com o VLT

28/08/2012 - Jornal da Paraíba

Para o superintendente Lucélio Cartaxo, as deficiências do sistema ferroviário só serão resolvidas com a substituição dos trens, o que deve ser concretizado no primeiro semestre de 2014. 

Está prevista para este ano a realização de licitações para instalação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na Região Metropolitana de João Pessoa. Com os novos trens, a expectativa é que o fluxo de passageiros aumente para 40 mil por dia. 

A capital paraibana receberá oito trens, cada um com três vagões climatizados, duas cabines de comando permitindo operar em monovia, baixo potencial poluidor e baixo consumo de biodiesel e com capacidade para transportar 562 passageiros por viagem. Os recursos para a compra do VLT estão assegurados pelo Ministério das Cidades, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC - Equipamentos) que destinou R$ 96 milhões para serem investidos nos trens urbanos de João Pessoa. 

O superintendente da CBTU aposta na adesão da população ao transporte ferroviário em 2014. “Um dos problemas é a demora entre as viagens, que atualmente é de 50 minutos e deve diminuir para 15 minutos, no máximo. Com o VLT, teremos velocidade, conforto, segurança e pontualidade de 100%. Com isso, as pessoas se sentirão estimuladas a utilizar o trem, o que vai ajudar o transporte através dos ônibus, por exemplo”, destaca. 

“A estimativa é que os trens estejam implantados até a Copa do Mundo, até lá, temos de trabalhar com o que está disponível. A chegada do VLT é a culminância de toda uma preparação que viemos desenvolvendo com as reformas nas estações e modernização dos trilhos e dormentes”, assegura Lucélio. 

    

VLT volta a ser pauta nos grandes temas da Região Metropolitana de Natal

31/08/2012 - CBTU

Na manhã desta segunda-feira (27), o Serhs Natal Grand Hotel sediou o seminário Motores do Desenvolvimento, em sua 3ª edição de 2012. O evento teve como principal objetivo discutir as questões relevantes para a execução e desenvolvimento das obras de mobilidade e transportes coletivos. 

O evento reuniu grandes nomes do empresariado e da política local e nacional. O Ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, que veio a Natal especialmente para o Seminário, enalteceu que a Copa 2014 será importante por trazer para os brasileiros as melhorias necessárias, principalmente nas grandes cidades. 

A CBTU - Natal, convidada para o evento, foi representada pelo seu superintendente, o engenheiro João Maria Cavalcanti, que contribuiu com o debate para as soluções de mobilidade do transporte público da grande Natal. 

Após a abertura do evento, o Superintendente da CBTU - Natal participou de uma audiência reservada com o Ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro e representante da Bancada Federal do RN. O Superindentende fez uma exposição da proposta de implantação do VLT da CBTU nos trechos de linhas existentes, entre a Zona Norte e a Zona Sul da Região Metropolitana de Natal. Aproveitando a oportunidade, João Maria Cavalcanti pediu ao ministro à liberação de recursos para viabilizar tal pleito, uma vez que estes já estão assegurados na Medida Provisória Nº 573, de 27 de junho de 2012, referente ao PAC Equipamentos. 

Olhares no vai e vem dos trens de Natal

26/08/2012 - Diário de Natal

Os trens de Natal são diferentes, mas ainda agradam os usuários.

Por Sérgio Henrique Santos

Uma visão turva ou quadrada. Assim é a capital vista de dentro dos vagões das antigas locomotivas da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). As janelas não são abertas e o vidro é velho, embaçado. O sistema será substituído pelo moderno Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), que fará parte do percurso onde hoje existe a Linha Norte, entre Natal e Ceará-Mirim. Serão 12 veículos novos e cada um poderá transportar até 600 usuários. O VLT será construído até Extremoz, na região metropolitana. Terá 18 metros de comprimento, ar condicionado, acessibilidade aos portadores de deficiência física e velocidade máxima de 40km/h. Os veículos serão similares aos que já estão em operação nas cidades de Recife e Maceió. Cada veículo será constituído por três carros movidos a tração diesel elétrica e diesel hidráulica.

Hoje, os potiguares que moram na periferia da capital ou em cidades da Grande Natal e que utilizam o transporte ferroviário convivem com um sistema que ainda funciona, embora de forma precária, e que por isso requer mudanças urgentes. Da estrutura das estações até os trilhos, o sistema se distancia anos-luz dos bucólicos sistemas ferroviários ainda mais antigos mas infinitamente mais bem-conservados vistos na Europa, que permitem aos usuários ter conforto na viagem, tomar vinho a bordo e transitar, por exemplo, entre vários países. Aqui, é proibido beber.

Os trens de Natal são diferentes, mas ainda agradam os usuários. O Poti/Diário de Natal resolveu embarcar na viagem do percurso que será contemplado no novo VLT, entre a Estação Ribeira (Natal) e Extremoz. Percebeu que não é tão ruim andar de trem, como dizem os críticos. Com buracos nas ruas, andar de ônibus é mais aventureiro. No trem, ao longo do caminho, repórter e fotógrafo observaram a Natal que poucos vêem. Ouviram os usuários do sistema, que em geral estão conformados com a falta de conforto, a escassez de viagens e os horários em que os trens partem lotados. Eles justificam que o esforço vale a pena por causa do baixo custo da viagem: apenas R$ 0,50. Através de imagens, convidamos o leitor a seguir conosco nos trilhos.

9h44 - Estação Ribeira

O trem parte pontualmente às 9h44, conforme previsto na tabela de horários estabelecida pela CBTU. A previsão é chegar a Extremoz às 10h36 [52 minutos depois], mas o trem ainda seguirá até Ceará-Mirim, onde termina a viagem. O trem parte com cinco vagões puxados pela locomotiva, e cerca de 30 passageiros a bordo, todos sentados. O supervisor de limpeza, Marcos Domingos, diz que normalmente naquele horário é assim. "À noite, na última viagem, ele sai lotado". No percurso inicial e pela porta dos fundos do último vagão, é possível ver o estuário do Potengi e as casas e barcos de pesca que ficam na beira do rio e no Passo da Pátria. Visão diferente da que tem quem passa por cima, na Avenida do Contorno, próximo à Pedra do Rosário.

9h50 - Estação Alecrim

A estação tem sinais de vandalismo como pichações na parede. "Às vezes tem arrombamento", explica um dos passageiros. Na estação, embarcam o agente de portaria Márcio Santana, 23 anos, que leva diariamente sua mulher, Ana Caroline, grávida de oito meses, até Ceará-Mirim. "O trecho mais lotado é na outra linha, entre o Planalto e Parnamirim. Tem vezes que ele demora a vir, passando até três horas entre um e outro. O que é mais chato nas viagens com o trem lotado é que minha mulher, mesmo grávida, nem sempre consegue local para sentar". "As pessoas não têm consciência. Ignoram", diz ela.

9h55 - Estação Quintas

Ao passar pela comunidade Guaritas, crianças que brincavam na rua jogam pedras no trem. Por sorte não batem em ninguém porque as janelas não são abertas. "O povo joga muito pedra no trem nessa parte da cidade. São vândalos. Somos trabalhadores, não fazemos mal algum para eles", observou o pedreiro Marcos Tarcísio da Silva. O trem segue pelas comunidades do Mosquito e Beira-Rio, próximas à Ponte de Igapó, sob olhar atento de uma passageira sentada sozinha no banco frio do trem. Mais adiante ela terá uma visão mais próxima do Potengi e da velha ponte inglesa de ferro. Ponte adormecida sobre o estuário que dá nome ao Rio Grande do Norte.

10h01 - Estação Igapó

Na primeira parada na Zona Norte da capital, o trem recebe mais passageiros. Agora são cerca de 100 usuários que seguem em direção a Extremoz e Ceará-Mirim. A autônoma Lilian Beth Silva de Sousa, 23 anos, fazia sua segunda viagem de trem. Moradora de São Gonçalo do Amarante, ela estava indo a Extremoz com o irmão, Luan, e a filha pequena, visitar a mãe, que mora na cidade vizinha. "Estamos indo visitar minha mãe. Eu gostei da viagem, estrutura boa. Minha mãe é quem usa muito o trem pra nos visitar em São Gonçalo do Amarante. As pessoas falam mal do trem, mas é um transporte barato".

10h09 - Estação Santa Catarina

Mesmo com muitas vagas, um senhor que tem assento preferencial opta por observar o conjunto Panorama em pé, pela janela do trem. Na Estação Santa Catarina, mais sinais de vandalismo. Os seguranças dizem que o perigo acontece porque a estação fica aberta. Eles também permanecem durante toda a viagem, para evitar assaltos e brigas nas viagens. "De vez em quando alguns passageiros querem se estranhar", comentou um deles, que prefere não se identificar.

10h11 - Estação Soledade

Do lado de fora, muito lixo jogado nas ruas do conjunto Soledade. Os prédios do outro lado do Potengi não são mais vistos e o trem segue seu caminho. Nalva Fernandes, dona de casa de 53 anos, observava pacientemente a paisagem. "Gosto do trem porque é barato e passa nas horas certas, embora às vezes quebre. O conserto é rápido. O trem fica cheio às seis da noite, e também no início da manhã, mas dá para acomodar todo mundo. Não fica ninguém sem viajar. Se eu fosse de carro, acho que levaria uma hora. De trem daqui a pouco eu chego, menos de meia hora". Após a conversa, a mulher torna a obervar a paisagem ao longo de sua viagem, feita diariamente entre o bairro Potengi e Ceará-Mirim.

10h18 - Estação Nova Natal

O lixo aumenta e se torna lixão. Crianças brincando com detritos, carroceiros jogando entulho, restos de poda e construção civil. O cenário é visto no lixão de Nordelândia, no bairro de Lagoa Azul, onde fica a Estação Nova Natal. Este é o momento da viagem em que o trem fica mais cheio, mas com lugar para todos estarem sentados. Cerca de 300. São jovens estudantes, homens e mulheres, casais, grávidas sozinhas, senhores e senhoras.

10h22 - Estação Nordelândia

Depois do lixão, é possível ver, pela janela a lagoa de Extremoz, um dos maiores mananciais da Grande Natal, que abastece parte da capital. A lotação do trem começa a se esvair. Os passageiros começam a chegar ao seu destino.

10h30 - Estação Estrela do Mar

Alguns casebres simples, vistos com mais frequência na periferia da capital, começam a dar lugar a casas de alvenaria, bem estruturadas e com infraestrutura de comércio e escolas nas imediações. Não há mais lixo, e sim plantações e áreas verdes destinadas à agricultura. Estamos chegando a Extremoz, município da Grande Natal.

10h36 - Estação Extremoz

Pontualmente no horário previsto, o trem chega ao nosso destino final: Extremoz. A equipe de O Poti/DN desce na estação central da cidade. A infraestrutura é antiga. Uma data descreve que a estação pertence à RFFSA, e tem mais de cem anos. Mesmo assim, é bem conservada e não há sinais de vandalismo. Rampas de acessibilidade garantem o acesso de pessoas com dificuldades de locomoção. Quase vazio novamente, o trem segue até o terminal, em Ceará-Mirim, de onde voltará mais de uma hora depois fazendo nova viagem.